E se você pudesse ser um explorador do futuro


19 fev 2017

Hey tripulante do futuro! Como comunicador de um futuro que se molda a cada ideia compartilhada, senti a necessidade de falar sobre a minha visão pessoal de futurismo e porque acredito que o ato de explorar e, posteriormente, construir o futuro vai estar cada vez mais presente nos papos cotidianos e em pauta dentro das empresas.

Essencial para nos guiar em uma era hiper volátil e cheio de incertezas, o pensamento sobre o amanhã pode ser compreendido através do futurismo, uma disciplina que converge diversos campos como a arte, a ficção, a ciência, a filosofia, a antropologia, a sociologia, etc.

Porém, o meu primeiro contato com futurismo veio através do game thinking, que despertou a ideia de utilizá-lo como plataforma para imaginar diversas possibilidades para o ´amanhã´ que trouxessem insights para os principais problemas do mundo.

Futurismo não é sobre prever o futuro, e sim sobre estimular a descoberta de um amplo campo de possibilidades.” – Kathi Vian – IFTF (Institute for the Future)

Comecei a me interessar pelo campo após conhecer as iniciativas da Jane Mcgonigal que junto ao IFTF (Institute for The Future) desenvolveu, o Superstruct, um jogo colaborativo de exploração de futuros alternativos.

Esse jogo reuniu impacto positivo de futurismo e sci-fi através de uma exploração coletiva de oito mil pessoas com o objetivo de salvar a espécie humana.

Jane Mcgonigal desenvolveu um jogo colaborativo de exploração de futuros alternativos. (Crédito: ao IFTF – Institute for The Future)

 

Três coisas me chamaram muita atenção na forma de pensar da Mcgonigal e que moldaram a forma como eu enxergo e aplico futurismo.

Há conexão entre usar o pensamento de futuro como ferramenta de mudanças no presente moldou a forma eu enxergo e aplico futurismo hoje.

A seguir três coisas que simbolizam a minha percepção sobre futurismo:

O senso de empoderamento do seu próprio futuro: Uma coisa que eu acredito bastante é que o futuro assim como um jogo, é um campo exploratório: temos o pleno direito de escolher o cenário que queremos explorar e a forma como vamos fazer isso.

A imaginação coletiva do futuro: Por exemplo, quando nos deparamos com um grande dilema no futuro – O que a escola vai ensinar em um cenário de automação massiva do mercado? – Ao invés de concentrar o problema em um grupo pequeno de pessoas, faz mais sentido atuar como plataforma e abrir espaço para a geração de múltiplos possíveis futuros.

Otimismo sensato: É importante transmitir expectativas e sensações positivas sobre o futuro, mas com responsabilidade. Criar momentos de diálogos abertos sobre o que está no radar, com a intenção de criar um senso de urgência para a mudança, mas sem choque.

Olhando o futuro com empatia. (Crédito: Behance. Alexey Brin)

 

Um exercício que faço, é olhar para o futuro com os olhos de quem não vive o futuro.

Certo dia, ao observar um pescador no seu barco, pensei em como um cenário de singularidade tecnológica poderia influenciar de alguma forma o estilo de vida daquele pescador ou a sua própria atividade (a pesca).

Esse olhar para o outro é importante no momento de traduzir para o mundo o que você pensa.

Os melhores tradutores do futuro, na minha concepção, são os autores de ficção científica, que sabem seduzir a audiência com um cenário habitual e fantástico.

Por outro lado, ficções acabam sendo pouco eficazes para nos auxiliar na melhor tomada de decisões no presente, justamente por serem focadas em chocar as pessoas sobre como será o futuro. (Mais a frente, trago uma ótica interessante sobre o uso do sci-fi no pensamento futuro)

Tive uma percepção de como traduzir o futuro de uma forma mais empática após conhecer a Aerolito, onde percebi a importância de uma jornada “homeopática” em direção ao futuro, criando um elo analógico com o nosso passado…

Mas, a grande sacada foi o fator rede/comunidade, em que a exploração passa a ser mais significante quando feita em conjunto a uma galera engajada por um propósito em comum.

O desejo de criar uma rede de exploradores do futuro, em que todos estivessem empoderados do seu próprio futuro, nutridos por uma lente otimista e a fim de distribuir suas ideias dentro da rede, levou a criação do F.EX. – uma plataforma que empodera pessoas a explorarem o futuro, construindo futuros desejáveis ao final, através de um jogo vivencial.

Acima de tudo precisamos explorar e imaginar o futuro para depois distribuí-lo para o mundo. É muito importante dizer que essa capacidade é peculiar da espécie humana, portanto somos potenciais exploradores do futuro.

Somos potenciais exploradores do futuro

O ser humano é a única espécie capaz de simular uma diversidade de cenários criando uma séries de hipóteses para ajudar a tomar uma decisão.

Dentro de uma lógica neurológica todos temos a capacidade de imaginar e projetar o futuro que desejamos.

Imagina a seguinte situação:

Você e um grupo de amigos estão decidindo um local para viajar e há um certo dilema entre viajar para a praia ou para um lugar com neve. Neste momento projetamos possíveis cenários que possam justificar a nossa escolha.

Segundo Randy Buckner e Daniel Carroll ambos do Departamento de Psicologia de Harvard, nós projetamos cenários através das nossas memórias episódicas, da percepção do outro (amigos), da imagem mental do local que se planeja ir e através da simulação de futuros alternativos.

Portanto, já projetamos de forma natural cenários cotidianos que podem afetar e influenciar a nossa vida em um futuro próximo.

Porém, quando lidamos com cenários “VUCAs” (Volátil, Incerto, Caótico, Ambíguo) em que precisamos pensar em um futuro mais distante, por exemplo – “Qual será o cenário da política no Brasil em 30 anos?”- a imagem do futuro começa a ficar nebulosa e os sabotadores entram em ação.

Considero três sabotadores cruciais que justificam a nossa dificuldade em projetar cenários de futuros dentro de contextos mais amplos:

1- Condição Neurológica Límbica (“Cérebro de Lagarto”)

2- Diferentes Orientações Temporais (Desorientação Temporal)

3- Falta de Incentivo da Sociedade

Vamos ver cada um deles:

1- Cérebro de Lagarto

O ser humano adquiriu a capacidade de criar avanços tecnológicos extraordinários ao longo do tempo, porém ainda sujeito aos instintos primitivos da época em que só tínhamos duas atividades: caçar e reproduzir.

A amígdala é a parte do cérebro que além de regular a nossa temperatura e emoções, é ativada no momento que você se depara com situações de maior incerteza, medo e desconforto, sendo mais conveniente fugir ou lutar do que imaginar o futuro.

Portanto, quando precisamos imaginar um futuro que desafia o senso comum e nos tira da zona de conforto, é disparado uma alerta no nosso cérebro,  que cria uma resistência à tentativa de projetar o futuro a longo prazo.

Por essa razão, quando falamos de automação na força de trabalho, a primeira coisa que vêm à cabeça são os filmes de ficção científica distópicos, que ativam os nossos instintos mais primitivos e nos levam a pensar em desemprego e domínio das máquinas…

As próprias manchetes dos canais de mídia de massa focam em fatores que possam incitar o nosso choque com o futuro e replicar cenários de escassez.

2- Desorientação Temporal

O tempo tem um significado diferente para cada pessoa, e os nossos comportamentos e ações podem ser influenciados de acordo com a nossa orientação temporal.

Segundo o psicólogo Philip Zimbardo, os nossos comportamentos, ações e pensamentos são direcionados por uma orientação temporal, que podem explicar porque temos dificuldade de projetar o futuro.

Uma pesquisa feita pelo Departamento de Psicologia da Universidade de Taiwan, aponta que há uma ligação entre o pensamento futuro e a orientação direcionada para o futuro como fatores que influenciam a nossa criatividade e imaginação.

Hoje temos novas tecnologias como o biohacking, a interface neural, e o blockchain, que desafiam o convencional e que demandam um tempo para a nossa mente se adaptar.

Concordo com a futurista Amy Webb sobre a desorientação com as mudanças que a sociedade vive, que pode ser explicada pela a orientação temporal das pessoas com relação às novas tecnologias. (Cortesia da imagem: Information Strategy)

 

Nos anos 90,uma das grandes empresas da época, a AOL, entendia um fenômeno que iria se tornar a Internet, como uma expansão de canais na TV: ao invés de 10 canais teríamos 500. Interessante que 27 anos depois, só o Youtube possui 1 milhão de vezes o número previsto pela AOL. Uma amostra de como a nossa orientação temporal pode influenciar a nossa imagem do futuro.

3- Falta de Incentivo da Sociedade

A escola ensina a história do passado como instrumento para as decisões que serão tomadas daqui para frente. A ideia é fazer você entender que padrões de acontecimentos do passado podem se reproduzir no presente.

“Temos milhares de professores e alunos de história operando em registros do passado, não há professores de futurismo para avaliar as consequências das novas tecnologias no futuro.” –  H. G. Wells, no texto “Procura-se Professores de Futurismo”

Historiadores não estudam o passado a fim de repeti-lo, mas para se libertar dele” – Yuval Harari, Homo Deus

Estamos em uma era que é diferente de tudo o que já foi vivido e em um ritmo alucinante. Quais referências tínhamos para imaginar uma comunicação via textos de 140 caracteres (no Twitter)  que fosse capaz de derrubar o ditador da Síria ou até um grupo de ativistas hackers que se colocam como “guardiões da liberdade” (Anonymous)?

A Amy Webb diz que isso é um sintoma do paradoxo do presente, que por conta das nossas pré-concepções e crenças enxergamos apenas o que está de acordo com a imagem “imutável” que temos do presente.

Esse paradoxo do presente é o que nos leva a interpretar qualquer novidade como uma tendência que deve ser seguida. Como ela própria fala, “a novidade é o novo normal”.

Acredito que enxergamos sinais dentro de “caixas rotuladas” por nós mesmos. Isso é o que leva imaginar que a automação virá em forma humanóide, quando a tendência que está em fluxo é mais invisível do que pensamos.

Portanto, o baixo incentivo para exercitar a nossa capacidade de imaginar e projetar o futuro nas escolas, organizações, e em toda a sociedade geram um desconforto em explorar o futuro.

Por essa razão ficamos passíveis de futuros “vendidos” com o objetivo de gerar choque e desorientação e assim impor um futuro que não foi escolhido por nós.

A boa notícia é que podemos nos empoderar do nosso próprio futuro e criar aquele que desejamos.

Assim, entramos no ponto fundamental quando temos consciência de que o futuro não é pré-determinado, e sim criado.

Identificar os padrões das tendências emergentes, quais as variáveis externas que afetam este cenário e o mindset adaptativo são fatores cruciais para construir o futuro que desejamos.

A melhor forma de prever o futuro é criá-lo” – Abraham Lincoln

Apenas para exemplificar como é possível antecipar o que está por vir e adaptar a sua condição inicial à luz das curvas emergentes, considere a trajetória da IBM, sempre surfando ondas incertas há mais de 100 anos:

A IBM vem se moldando de acordo com o ritmo do mercado. Começou como uma empresa que vendia máquinas contábeis e cartões perfurados…

Em 1924, quando passou a se chamar IBM de fato, oferecia serviços de processamento de dados, reinventando-se nos anos 60, ao desenvolver computadores para o governo e grandes corporações.

Duas décadas depois, fabricando computadores pessoais, iniciou uma parceria para produzir softwares com a Microsoft. A grande mudança veio com o investimento de software avançados, que culminaram no desenvolvimento da AI desde o Deep Blue até o Watson.

Recentemente, a atual presidente da IBM, Ginni Rometty, disse no Fórum Econômico de Davos que um dos principais focos é utilizar a AI como extensão da nossa inteligência em diversas áreas, com grande interesse na medicina, auxiliando médicos no diagnóstico de doenças como o câncer.

Diferentemente da IBM, há empresas como a Kodak, a Sony e a Blackberry que apenas olharam para variáveis convencionais, e foram afetadas por atores improváveis.

Muitas organizações se auto-sabotam por conta da sua resistência em mudar aquilo que está funcionando, até que são surpreendidas por “cisnes negros” (um fato improvável) e vêem a “torre de cartas” se despencar.

Implantando uma Nova Lente

Agora que estamos alinhados com os obstáculos que temos para explorar o futuro, vamos aprofundar alguns vetores que são importantes dentro da modelagem de um mindset propício para se tornar um explorador do futuro.

Acredito que o primeiro seja o pensamento exponencial, pois ele é o “software” atualizado nessa nova era digital e que está apto a se adaptar constantemente conforme o fluxo de mudanças.

O segundo é ter sensibilidade para perceber os sinais difundidos nas obras de ficção científica. A própria série Black Mirror “espelha” o retrato contemporâneo da nossa sociedade em relação às novas tecnologias. Estamos na era em que o Sci-Fi virou Sci-Fact.

O terceira é a pluralidade de olhares que pode ser alcançada com uma maior diversidade de pessoas imaginando o futuro, e também a partir de um pensamento sistêmico sobre o que pode influenciar um cenário de futuro, não centrando somente nas tecnologias.

Vamos analisar de forma mais detalhada estes vetores.

Pensamento Exponencial

Já parou para pensar que em vinte anos temos mais da metade da humanidade conectada a uma mesma infraestrutura digital?

A Internet que antes era considerada radical, se tornou tão invisível e abundante que a percebemos como algo natural.

Este padrão pode se repetir com outras tecnologias conforme o ritmo exponencial, que duplica sua performance e baixa o seu custo pela metade a cada 36 meses. Além da tecnologia ser direcionada por forças inevitáveis que influenciam os nossos comportamentos e ações.

Para entender de forma mais prática vamos simular um curto cenário da cognificação no futuro:

Imagine que expandimos a nossa mente através do BCI (Interface Humana-Máquina) e temos um “terceiro hemisfério” no cérebro, que além de possibilitar o acesso à Internet, pode ser utilizado para acessar e compartilhar um maior número de memórias e gerar experiências mais personalizadas através da conexão com AIs externas que operam desde carros autônomos a sistemas holográficos.

Qual a probabilidade deste cenário acontecer?

Dentro da lógica linear de mercado pode ser visto como improvável, porém, quando investigamos dentro da lógica exponencial, começa a fazer sentido explorar mais fundo este cenário, pois da mesma forma que a Internet expandiu nossa conexão com o mundo, ela também teve problemas, como a marginalização dentro da Deep Web.

Ao implantar o “software” digital na nossa mente passamos a pensar numa velocidade mais próxima a do ritmo do progresso tecnológico, além de ter um olhar mais sensível para todos os possíveis cenários.

Quando se cria um senso de urgência, aumenta o desejo de imaginar como a cognificação (exemplo de cenário utilizado) pode gerar impacto positivo no mundo.

A exploração do futuro dentro da lógica exponencial, revela dados que podem guiar uma melhor tomada de decisões no presente.

Sci-Fi virou Sci-Fact

Quantas vezes você assistiu um filme de ficção científica buscando entender como aquele cenário se relaciona com o nosso presente?

Temos vários exemplos de tecnologias inspiradas pelo sci-fi, no Jornada das Estrelas, como a impressão 3D, o diagnóstico digital de doenças, o celular móvel.

Outro filme, o Minority Report foi projetado junto com futuristas, como o Kevin Kelly, para imaginar como seria o mundo em 2050.

Quando a ciência concreta se mistura com a ficção, isso significa que as obras de sci-fi estão desenhando um futuro que inconscientemente estamos absorvendo.

Você gostaria de viver em algum dos futuros apresentados nas obras sci-fi?

A série Black Mirror expõe o retrato da sociedade de forma absurda no futuro. É um convite à mudança do nosso comportamento em relação às tecnologias de hoje.

Uma outra percepção interessante sobre a relação de máquinas com humanos dentro de uma visão cotidiana veio da série Humans.

Obras de sci-fi com apelo social quando bem estruturadas podem ser utilizadas como ferramenta de aprendizado para visualizar hipóteses do futuro, e assim fazer melhores escolhas no presente.

Um bom exemplo de sci-fi que pode ampliar o seu campo de imaginação sobre o futuro, é o seriado de animação Rick and Morty, em que um cientista cria todo tipo de tecnologia que vêm a mente dele e leva consigo o seu neto para vivenciar o inimaginável.

O sci-fi muitas vezes aproxima o futuro da nossa realidade no presente, porém estamos em uma era em que o avanço tecnológico promete superar os limites do absurdo e provocar novas questões sociais. Por essa razão o sci-fi é um vetor do futurismo que precisa ser questionado, mas sempre explorado.

Pluralidade de Olhares

Qual frequência você ouve falar sobre futurismo? Quantos futuristas você conhece?

Pois bem, há um número muito restrito de pessoas estudando e dando as diretrizes do nosso futuro, o que acaba criando uma limitada distribuição dos cenários de futuros.

Imagina um grupo de especialistas em uma universidade de renome apontando as profissões que estarão em risco com a automação, como iriam reagir as pessoas afetadas por este cenário, e que políticas deveriam ser adotadas para enfrentar os riscos?

Embora, a tecnologia seja um vetor previsível, as pessoas são movidas por sentimentos que são imprevisíveis. Por esse motivo é preciso uma pluralidade de olhares sob o futuro em que pessoas em diversos contextos serão afetadas.

Quando unimos pessoas com crenças, etnias, gêneros e opiniões distintas, temos uma riqueza de perspectivas sobre o futuro. Por isso acredito na exploração coletiva de futuros, em que a construção acontece através dos múltiplos olhares de exploradores na rede. Ter ciência sobre o futuro se torna um domínio público.

Me identifico bastante com a ideia da Amy Webb de olhar para as margens do que está acontecendo no presente procurando por sinais improváveis e inesperados. Estes sinais, por trabalharem fora dos padrões convencionais, realizam coisas mais impactantes.

Uma personagem que vale ilustrar é a Martine Rothblatt, uma transgênero que está realizando progressos interessantes na área de robótica, AI e biotech. Rothblatt chegou no ponto mais próximo de um upload de mente, ao criar um robô com o rosto da sua esposa e as suas memórias, gostos, etc, dando sinais de uma possível imortalidade digital no futuro.

Martine Rottblath (à direita) criou um robô com o rosto de sua esposa Bina Aspen (crédito: Fortune Magazine)

 

A tecnologia é um vetor crucial, porém não pode ser vista como único fator determinante.

Sendo assim é preciso levar em conta, antes de qualquer exploração, coisas intangíveis como as relações sociais e afetivas, movimentos culturais, novos comportamentos, política, economia, meio ambiente, etc. Inclusive para ter um olhar mais sensível sobre o assunto indico ler o texto da Diana Assennato no Medium.

A mídia e o próprio cinema trazem uma visão asséptica e high-tech do futuro que são absorvidos pelo o grande público. Replicar este cenário é imaginar que o carnaval daqui a 30 anos vai ser monocromático.

Quando você faz mais pessoas diversas pensarem e ponderarem os sinais emergentes, eu acredito de verdade que podemos hackear o futuro.

Reconhecimento de Padrões

O nosso cérebro só tem consciência de 5% do fluxo de pensamentos, o que significa que 95% do que processamos é de forma inconsciente. Essa gestão de recursos é o que evita um colapso de absorção de informações na nossa mente. Então, há uma infinidade de padrões que passam despercebidos pelo os nossos sentidos.

É preciso pensar de forma ambidestra sobre o futuro, ou seja, pensar de duas formas ao mesmo tempo, monitorando o que está acontecendo no presente e pensando como os sinais do presente se relacionam com o futuro” – Amy Webb

Quando praticamos o pensamento ambidestro, uma série de padrões até então ocultos se revelam parte complementar de uma imagem que representa o futuro que está se formando. A habilidade é o uso científico da imaginação ou seja, o reconhecimento de padrões.

Dentro do FEX entendemos o reconhecimento de padrões como uma parte essencial da exploração do futuro. A melhor forma de ativar isso é estar imerso dentro do futuro, ou seja, no nosso modelo, o tripulante é convidado a construir o seu futuro desejável com base em fragmentos de futuro que estão espalhados durante toda a experiência.

O explorador é desafiado a imaginar o seu ´eu´ no futuro e a construir um artefato que ajude a solucionar um grande problema do mundo e que poderá impactar positivamente o futuro. Acreditamos que ao unir o lúdico com o conhecimento científico, há mais curiosidade e diversão ao explorar o futuro, ou seja, estamos exercitando o nosso reconhecimento de padrões.

Pra mim, o FEX é uma intercessão entre o Institute for The Future e a Disney.

Embora eu seja otimista, também sou sensato em saber que para algumas pessoas imaginar o futuro é um luxo dispensável – O futuro desejável de uma jovem que vive em zona de guerra na Síria, é a sua sobrevivência e o fim da guerra – O ambiente e as nossas experiências no presente podem aproximar ou distanciar o nosso pensamento sobre o futuro.

Como a Marina Gorbis do IFTF fala neste artigo:

“No dia a dia, somos rodeados por artefatos do presente e do passado, não há nada no nosso ambiente cotidiano que possa dar sinais do futuro. Não são todos que tem o privilégio de viverem no Vale do Silício, e conviver com carros autônomos, robôs e startups, e isso nem é desejável.”

Há um filtro na nossa imaginação que permite ver apenas o que conhecemos, e assim superficialmente pressupor como será o futuro.

Por essa razão acredito que precisamos de mais pessoas para distribuir o futuro de todas as formas possíveis, seja através de uma obra artística, de um filme de sci-fi, de um artigo, de intervenções urbanas, de palestras, de posts no facebook ou tweets, de teatro, de jogos, enfim até de um papo com os seus amigos já é uma forma de inspirar a construção de mais futuros desejáveis.

Os próximos anos serão a reprodução das obras de sci-fi mais icônicas com frotas de carros autônomos sendo acionados a todo momento, com interfaces neurais compartilhando pensamentos e sentimentos nas redes sociais, com assistentes virtuais fazendo o que os apps fazem hoje, com mundos construídos nas realidades imersivas, com você se auto-diagnosticando ou editando o seu DNA conforme anomalias apareçam, e claro um futuro de AIs e robôs realizando milhares de trabalhos, quase tudo cognificado.

Todos estes cenários estão dentro do campo possível, e antes que isso possa alarmar o seu cérebro de “lagarto”, lembre-se que apesar das forças tecnológica possuírem forte influência no futuro, a forma como ele vai acontecer, se vai ser distópico ou desejável, depende das escolhas que fazemos no presente.

As sociedades que possuem imagens positivas do futuro estão empoderadas pelas suas próprias imagens para agir criativamente no presente”. – Fred Polak, um dos pais dos estudos do futuro.

Eis minha questão para você refletir:

Como seria a sociedade no futuro, se todas as pessoas fossem estimuladas a utilizar sua imaginação?

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Bruno Macedo
Bruno Macedo

Bruno é arquiteto de experiências de futuro na F.E.X, empreendedor da DogFactor, pesquisador, game-designer e principalmente um curioso nato que estuda desde neurociência à gamificação. Tudo o que faz procura alinhar 3 coisas: Empatia, Subversão e Diversão.

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