Quanto tempo iremos viver o fordismo educacional em uma era digital?


07 maio 2019

A Filosofia nasceu na Grécia antiga, com grupos de filósofos discutindo diversos assuntos, sem obrigações metodológicas e hierárquicas que bloqueariam o verdadeiro significado da palavra FILOSOFIA, que é o “amor à sabedoria”.

Muito tempo depois, durante os séculos XVIII ao XX, nossa sociedade experimentou inúmeros avanços, trazidos por guerras e conflitos. Tivemos revoluções industriais que nos apresentaram do Fordismo à Internet. Hoje, vivemos a revolução 4.0, conhecida como a era da informação, o mundo conectado como o homem jamais viu. Um volume e velocidade de informações e avanços tecnológicos que colidem com o sistema educacional atual, o qual não acompanha na mesma velocidade.

Estamos na era da Internet das Coisas, mas ainda temos salas de aula no modelo pós-guerra. São dois mundos paralelos. Quanto tempo iremos viver o Fordismo educacional em uma era digital?

Temos pressa. Como Domenico de Massi nos ensina, em seu estudo sobre o tempo, trabalho e ócio; vivemos uma era de urgência e isso está nos consumindo de muitas formas, principalmente econômica e emocionalmente. A gestão do tempo é imprescindível. Precisamos usufruir da tecnologia para otimizarmos nossos processos e por seguinte nosso TEMPO.

Um divisor de eras foi o estouro do ensino a distância (EAD), que cresce em progressão geométrica. Sinal de que Domenico tem razão e que estamos no caminho correto.

O ensino superior formal teve queda nas matrículas em 0,08%, enquanto o modelo EAD cresceu 0,7% em 2016, segundo o Censo da Educação Superior. O Ministério da Educação (MEC) nos conta que entre 2003 e 2013, das 3,3 milhões de matrículas no ensino superior, mais de 1/3 foram feitas no formato EAD.

Um dado relevante do Censo EAD é que, entre 2015 e 2016, a maioria das matrículas eram oportunizadas pelo meio corporativo. Sinal de que as empresas estão atentas às mudanças na educação.

A tecnologia costuma assustar, por isso o caminho deve ser a transição moderada. Nos adaptarmos às novidades com engajamento absorvendo as inovações tecnológicas, que podem ser úteis à educação, conforme pudermos, sem esquecer da máxima: -Precisamos reaprender a aprender, para absorver o novo.

Num mundo inundado de informações irrelevantes, clareza é poder.” – Yuval Noah Harari

Novas gerações pedem novos métodos de ensino e a tecnologia é uma grande aliada.

O professor passa a ser um facilitador, um curador, um tradutor do conhecimento. De agora em diante, um bom professor é aquele que está atualizado e consegue traduzir, condensar e transformar o conteúdo geral em conteúdo relevante, ofertando aos alunos de forma inovadora. O ensino tradicional ficou chato.

O ensino 4.0 usa o que a tecnologia nos oferece, como o ensino híbrido, lousas inteligentes, inteligência artificial (AI), gamificação, realidade aumentada e o aprendizado colaborativo, que faz paralelo à sala de aula invertida.

Temos inúmeros novos recursos e metodologias para transformar o ensino tradicional, como novas pedagogias, open sourcing e Google for Education.

Acima de tudo, a classe de professores – da educação infantil ao ensino superior –precisa adaptar seu ritmo aos novos alunos. Pequenas alterações como a mudança de estímulos a cada 20 minutos, o anexo de um vídeo curto da internet ou exercícios com aplicativos pode engajar mais as turmas. Misturar o digital e o analógico.

Presenciamos uma explosão de escolas infantis que oferecem cursos para desenvolver habilidades do futuro, como gamification, programação e robótica. As crianças de hoje têm infinitas opções comparadas às ofertadas há 30 anos.

O ensino deve ser dinâmico e divertido, pois manter os alunos focados em sala de aula é um desafio a cada ano maior. Como manter a sala de aula interessada e produtiva?

Em uma era de diversidade e individualização, temos turmas extremamente heterogêneas. O caminho é voltar a atenção às potencialidades de cada aluno, focando em desenvolver o que existe de melhor em cada um. Esse é o ensino personalizado.

Grande aposta para o futuro, que já chegou, a personalização é uma pedagogia baseada no desenvolvimento de soft skills, ou seja, ajudar o aluno a descobrir suas habilidades pessoais de cunho emocional e parear com as habilidades técnicas.

O modelo finlandês de ensino mostra que é possível. Para isso, precisamos introduzir o desenvolvimento de habilidades emocionais. Claro, não podemos negar a diferença culturas entre Brasil e Finlândia, mas é possível.

Segundo a ONU, para 2020, as 10 habilidades profissionais mais desejadas, serão emocionais,como gestão de grupos, negociação inteligência emocional e orientação para servir.

O segredo para um novo e eficiente caminho da educação do futuro é o equilíbrio.

Trabalhar para que a equação TECNOLOGIA + SOFT SKILLS = BONS ALUNOS E SERES HUMANOS MAIS FELIZES.

É relevante aprender a cultivar a própria mente, que é responsável pela produção de nossas emoções.

Somos o que pensamos. Tudo o que somos surge com nossos pensamentos. Com nossos pensamentos fazemos o mundo.” – Buda

Nosso papel é resolver a equação, em busca de um resultado satisfatório e tenho certeza de que estamos no caminho certo.

 

Imagem da capa: Catelloo

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Ana Penso
Ana Penso

Ana Penso é designer de produtos, moda e tecnóloga em empreendedorismo. Professora de design, idealizadora do projeto Laboratório de Criadores e Desperta, ambos focados em empreendedorismo criativo e habilidades do futuro.

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