Mídia quer ditar para crianças e mulheres quem deve ser cientista


26 nov 2018

A mídia tem passado mensagens confusas sobre o perfil das pessoas que seguem carreira STEM (acrônimo em Inglês para ciência, tecnologia, engenharia e matemática). Esta é a conclusão de um estudo realizado pelo Instituto Geena Davis – Gênero na Mídia, organização sem fins lucrativos, e pela Lyda Hill Foundation.

O estudo examinou personagens no cinema e na televisão que exerciam atividades STEM e descobriu que a mídia reforça em grande parte a narrativa de que os cientistas são homens brancos. Personagens masculinos superam os femininos entre 62,9% a 37,1%, e a maioria deles (71,2%) são brancos.

O estudo também descobriu que filmes e programas de televisão perpetuam o mito de que algumas disciplinas científicas são inapropriadas para mulheres: em comparação com os homens, há menos cientistas do sexo feminino em Física (6,4% para 11,8%), em Computação (8,6% para 11,5%) e Engenharia (2,4% em comparação com 13,7%).

Estávamos ansiosos para receber esse relatório, mas não ficamos nada empolgados porque confirmou nossa hipótese de que as mulheres estão sub-representadas como cientistas na mídia” – Nicole Small, presidente da Fundação Lyda Hill.

Se há um lado positivo, é que, embora a representação feminina seja baixa, as personagens mulheres na área STEM são retratadas como líderes em seus campos de atuação, tanto quanto os masculinos, e, assim como “eles”, igualmente competentes, capacitadas e até mais inteligentes em alguns papéis do que seus pares do sexo oposto.

Se ela não consegue ver, não poderá ser uma delas

A equipe entrevistou meninas e mulheres com idades entre 11 e 24 anos para descobrir suas opiniões e experiências em STEM. Um terço das meninas e mulheres entrevistadas disseram ter considerado a carreira STEM, porém apenas um quarto manifestou a intenção de realmente seguir na área. Meninas e mulheres afro-americanas eram as menos propensas na intenção de atuar no campo científico.

Quase 83% das participantes do estudo disseram que era importante para elas verem personagens femininos STEM na tela. Quando indagadas sobre o que poderia encorajá-las ou desencorajá-las das carreiras científicas, relataram um interesse crescente em buscar o STEM se acharem que será uma carreira colaborativa e não as sujeitará ao sexismo ou viés de gênero.

“Este relatório nos dá oportunidade para fazer mudanças”, diz Small, que junto com sua equipe do Instituto Geena Davis levaram o relatório para reuniões com anunciantes e produtores de TV, filmes e conteúdo do YouTube com uma mensagem simples: “Se ela não consegue ver, não poderá ser uma delas”.

Esse é o mantra do instituto: Se ela pode se ver, ela pode ser.

“O impacto social é particularmente perceptível quando filmes com afro-americanos e mulheres cientistas se tornam “blockbusters”, acrescenta Small. “Dada a popularidade de filmes recentes como Estrelas Além do Tempo e Pantera Negra, é excelente ter diversas mulheres retratadas na ciência. Precisamos de mais mulheres cientistas para divulgar suas histórias, para que as garotas possam ver o que elas podem ser quando crescerem, e os meninos também possam ver garotas nesses empregos.”

Fonte: Nature

Imagem da capa: Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures, EUA, 2017)

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Redação O Futuro das Coisas
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