Clínica Mayo: atividades mentalmente estimulantes, mesmo depois dos 70 anos, podem prevenir o risco de declínio cognitivo


02 fev 2017

Pesquisadores da Clínica Mayo chegaram à conclusão de que se você fizer atividades mentalmente estimulantes, mesmo depois dos 70 anos de idade, teria um menor risco de iniciar um Comprometimento Cognitivo Leve (CCL – que seria o estágio intermediário entre o envelhecimento cognitivo normal e a demência) durante um período médio de 4 anos.

O estudo descobriu que pessoas cognitivamente normais, com 70 anos ou mais, tiveram uma diminuição no risco de CCL em 30% com o uso do computador, 28% com atividades de artesanato, 23% com atividades sociais e 22% com jogos – pelo menos uma a duas vezes por semana.*

Os pesquisadores observaram que pessoas que fazem essas atividades, tiveram um declínio cognitivo menor do que aquelas que fazem as mesmas atividades, mas apenas duas a três vezes por mês ou menos do que isso, compara Yonas Geda, MD, psiquiatra e neurologista comportamental na Clínica Mayo Arizona e autor principal do estudo.**

“Mesmo para uma pessoa com risco genético para o declínio cognitivo ***, fazer algumas dessas atividades seria benéfico,” diz Janina Krell-Roesch, Ph.D. e pesquisadora de pós-doutorado do Programa do Dr. Geda de Neurociência Translacional e Envelhecimento (TAP – Translational Neuroscience and Aging Program).

Os resultados foram publicados em 30 de Janeiro num artigo da JAMA Neurology.

* Os pesquisadores acompanharam 1.929 participantes cognitivamente normais da Mayo Clinic Study of Aging, no Condado de Olmsted, no Estado americano de Minnesota, durante uma média de quatro anos. Os pesquisadores realizaram uma avaliação neurocognitiva no momento da inscrição no estudo, com avaliações a cada 15 meses. Ajustaram o sexo, a idade e o nível educacional. Após a avaliação, um painel de especialistas independentes no Centro de Pesquisa de Doenças do Alzheimer na Clínica Mayo fez a classificação de cognição normal ou comprometimento cognitivo leve para cada participante do estudo, com base em critérios publicados.
** Os pesquisadores observam no artigo que uma limitação do estudo, referindo-se ao viés da lembrança de atividades mentalmente estimulantes informadas nos questionários: “não temos como controlar as atividades mentalmente estimulantes realizadas no início da vida ou na meia-idade. Podemos supor que pessoas que se engajaram em atividades assim no início da vida ou na meia-idade são mais propensas a se engajar nessas atividades no final da vida em comparação com aquelas pessoas que nunca se envolveram nessas atividades durante a vida. Além disso, um estudo como o nosso permite investigar associações, mas não permite tirar conclusões sobre causa e efeito, o que só pode ser feito por estudos intervencionistas (experimentais). Portanto, não podemos excluir uma explicação de “causalidade inversa” (ou seja, é possível que os participantes que estão em maior risco de LCC sejam menos propensos a se engajar em atividades mentalmente estimulantes).”
*** Os benefícios de uma pessoa estar cognitivamente engajada foram observados mesmo entre os portadores de apolipoproteína E (APOE) ε4. A APOE ε4 é um fator de risco genético para o comprometimento cognitivo leve e para a demência do Alzheimer. No entanto, para os portadores de APE ε4, apenas o uso do computador e as atividades sociais estiveram associados a um menor risco de comprometimento cognitivo leve.

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Redação O Futuro das Coisas
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Comments

  1. Boa ideia também é a rotina de fazer palavras cruzadas, que estimula o cérebro a raciocinar, a movimentar o cérbro a situações novas.

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