2018: futuro e caos


17 dez 2017

Para muitas pessoas, um novo ciclo se inicia com a vinda do ano de 2018. Essa partição temporal, de certa forma, é positiva para as mudanças internas. Nos fornece um ar de novidade, de novas perspectivas, de recomeço. A sensação é de que podemos renovar as esperanças e estabelecer novas metas e desafios.

Neste contexto, podemos fazer algumas reflexões básicas e de suma importância, mas uma delas não pode deixar de estar contida neste rol que é: case-se” com o caos.

Explico melhor perguntando: você acha mesmo que possui o total controle da sua vida?

O fato é que o mundo não funciona de forma previsível e não estamos preparados para lidar com o aleatório, com o acaso e, por isso, não percebemos o quanto isso interfere em nossas vidas. Quando detalhamos mais esta temática nos deparamos com a famosa teoria do caos, que possui  a ideia central de que uma pequenina mudança no início de um evento qualquer pode trazer no futuro consequências enormes e absolutamente desconhecidas. Por isso, tais eventos seriam praticamente imprevisíveis.

Esse tipo de imprevisibilidade nunca foi segredo, mas a coisa ganhou ares de estudo científico sério no início da década de 1960, quando o meteorologista americano Edward Lorenz descobriu que fenômenos aparentemente simples têm um comportamento tão caótico quanto à vida.

Pensemos juntos: comumente nós fazemos planos. Então, a partir de 2018, passamos a acreditar que o curso da vida segue um fluxo de acordo com esse planejamento. Essa crença nos dá mais segurança em nossas escolhas. Porém, a vida costuma nos colocar em situações onde nossa impotência fica estampada nas nossas caras, evidenciando, assim, tamanha decepção por perdermos a direção utópica que possuíamos.

Alimentar o pensamento do controle total conduz à frustração, pois frequentemente somos surpreendidos por acontecimentos diversos, que extrapolam o nosso controle, mesmo tomando as devidas precauções.

Quando se faz necessário desistir de um caminho previamente arquitetado, a decepção e a inquietude nos acompanham. Ter paciência é uma tarefa, muitas vezes, árdua para o ser humano, que vive atualmente um imediatismo frenético. Pode ser uma saída, tentar pensar que não é fracasso, mas sim, entender que a vida tem o seu rumo próprio, e estarmos preparados para as consequências das nossas escolhas fruto das infinitas tentativas de acertarmos.

Outro ponto crucial para lidar melhor com o caos é a disciplina com as finanças. Ao contrário das pessoas, a maioria das empresas se prepara para o futuro, considerando os possíveis cenários, ganhos e perdas através de um planejamento estratégico e orçamentário. É raro encontrarmos pessoas que fazem seu planejamento financeiro, antecipando-se aos desafios vindouros.

Apesar de vivemos um verdadeiro caos, com fatos amplamente interligados na maior “desordem”, não podemos nos convencer de que não vale mais a pena nos esforçarmos para planejar nossas vidas e alcançar nossas metas só porque nos damos conta de que a vida pouco obedece ao nosso controle. Temos que continuar fazendo a nossa parte, tentando manter sob controle as nossas expectativas! Fazer escolhas mais acertadas e conviver melhor com fatores que não podemos controlar, pode fazer a diferença.

Nós, por não conhecermos o todo, enxergamos apenas a desordem, mas podemos arriscar dizer que existe uma perfeita organização em tudo, ou seja, existe uma ordem na desordem e, muitas vezes, o entendimento das ligações entre os fatos vem depois.

O caos se instaura mesmo diante da ilusão do controle. Ao reconhecermos e aceitarmos que existe o caos essa ilusão cai por terra e tudo vira, digamos, normal e o caos vira apenas mais uma palavra no dicionário.

Esse assunto é um terreno muito fértil e seus desdobramentos são ainda maiores, portanto vale a pena explorar mais. Uma sugestão de leitura sobre este assunto é o livro “O Andar do Bêbado – Como o Acaso Determina Nossas Vidas.” do físico Leonard Mlodinow. O autor mostra que o acaso existe sim, e além de ser um fator determinante nas nossas vidas, é provavelmente o que menos pessoas conseguem entender.

Feliz 2018!

 

Crédito da imagem da capa: Ludo

Deixe seus comentários abaixo


Nazareno Junior
Nazareno Junior

Nazareno é atuário, perito, palestrante, escritor e mestre em Economia. Atua no segmento de Saúde Suplementar. É membro do Instituto Brasileiro de Atuária (IBA), do Comitê Nacional dos Atuários do Sistema Unimed e do Comitê Permanente de Solvência da ANS.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Pin It on Pinterest

Share This