Modelos digitais: polêmica e influência


13 set 2018

Uma supermodelo – já conhecida mundialmente – não é bem de carne e osso. E já desperta polêmicas.

Shudu é a primeira modelo digital do mundo, fruto da imaginação do fotógrafo e artista digital britânico Cameron-James Wilson, que vem chamando a atenção no mundo da moda porque você quase não percebe a diferença entre ela e uma modelo humana.

Desde que a marca Fenty Beauty, da cantora Rihanna, compartilhou uma imagem de Shudu com um dos seus batons, o número de seguidores no seu Instagram subiu exponencialmente. E como acontece normalmente, a popularidade vem despertando controvérsias.

Shudu (Crédito da imagem: Clo)

 

“Shudu não é uma modelo real, mas representa muitas modelos reais. Ela representa modelos de pele escura e é inspirada neles”, explica Cameron-James, que neste vídeo, mostra como a criou.

Apesar de mulheres negras ser a fonte de inspiração de Cameron, muitos internautas não reagem bem a essa ideia, com críticas desse tipo:

Por favor, me digam se o nosso sistema econômico não é construído de forma francamente dependente do racismo e da misoginia

Modelos negros, especificamente modelos de pele escura, não são uma tendência. Deviam ser a norma.

Marcas estão indo atrás de modelos digitais

Em qualquer lançamento de coleção, marcas gostam de contratar modelos bem conhecidos para suas campanhas publicitárias no intuito de conquistar grande alcance para vender suas roupas.

Na vanguarda, a luxuosa casa de moda francesa Balmain optou por modelos digitais, e isso pode significar uma tendência para outras marcas.

Ideia do diretor criativo Olivier Rousteng, a Balmain criou a campanha “exército virtual” formado por Shudu, e mais duas modelos digitais, Margot e Zhi, utilizando o software Clo para  modelagem de tecidos e texturas, com efeitos hiper realistas, para criar as roupas e os acessórios em 3D.

Margot, Shudu  e ZhiShudu. (Crédito da imagem: Clo)

 

Looklet também é um software que ajuda designers a fotografar e criar seções modulares de roupas, para em seguida combiná-las virtualmente.

Digital influencer totalmente virtual

Miquela Sousa, mais conhecida como Lil Miquela, é brasileira, tem 19 anos, mora na Califórnia e usa grifes como Diesel, Moncler, Supreme e Chanel. Já fez campanha para a Prada e lançou uma coleção de joias com a designer Melody Ehsani e tem a sua própria linha de camisetas — cuja renda foi revertida para vítimas dos incêndios ocorridos na Califórnia em 2017. Ela também tem duas faixas no topo das paradas do Spotify: “Not Mine” e “You Should Be Alone”, além de 1,4 milhão de seguidores no Instagram.

O perfil de Miquela se confunde a qualquer influenciadora das redes sociais, não fosse por um detalhe: ela é totalmente virtual, uma CGI animada em computador e editada ao lado de pessoas e cenários reais.

Miquela, a digital influencer.

 

Justamente pela internet ser um território livre, as redes sociais proporcionam uma exposição muito grande a qualquer pessoa que crie um perfil. Especificamente o Instagram, lançado em 2010, já tornou-se a principal plataforma para que garotas, no mundo todo, influenciem, vendam e criem movimentos.

A chegada dos influenciadores digitais que são também “digitais”, como Miquela, poderá mudar a dinâmica do mercado. Alguns, com personalidades bem construídas, poderão tornar-se mais influentes do que os humanos e ganhar cada vez mais espaço entre marcas de setores como beleza e lifestyle ou de marcas ativistas.

Crédito da imagem da capa: Shudu no Instagram

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Redação O Futuro das Coisas
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