As próteses do futuro irão recuperar as sensações físicas


18 set 2015

O tato é um dos sentidos menos compreendido pelos cientistas. Se você toca ou segura um objeto, as suas vias nervosas irão transmitir diferentes tipos de informações – como peso, temperatura e textura – do braço e medula espinhal até o cérebro, que compila uma imagem do que você está segurando.

Essas sensações variam para cada um de nós. Mas, para aqueles que tiveram paralisia em algum membro do corpo, as alterações na sensibilidade são significativas, isso quando não há perda total do tato.

Nos últimos anos, as neuropróteses avançaram muito, permitindo que pessoas com paralisia conseguissem movimentar membros artificiais: em 2012, um homem com uma prótese subiu as escadas até o topo da Willis Tower em Chicago, apenas controlando o movimento pelo pensamento. Uma mulher com paralisia, também conseguiu com o pensamento, controlar um braço robótico, fazendo com que ele levasse o canudinho até a sua boca para que ela tomasse uns goles de refrigerante.

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Nestes experimentos, os pacientes conseguem mover as próteses pelo pensamento, por meio dos chips implantados no cérebro que converte a energia elétrica no córtex motor do cérebro. Quando uma pessoa pensa sobre algum tipo de movimento, os eletrodos captam a atividade do nervo e do músculo, reconhece padrões, e traduz o pensamento para a ação.

Porém, nenhuma prótese tinha conseguido ainda replicar a capacidade sensorial.

Só que a DARPA, semana passada, fez um anúncio emocionante: um homem de 28 anos, há dez anos com paralisia devido a uma lesão na coluna vertebral, experimentou a sensação natural do toque graças a uma prótese de mão conectada ao seu cérebro.

Esta foi a primeira experiência na qual a conexão possibilitou que o paciente recuperasse algum sentido do tato.

“Nós completamos o circuito”, vibrou Justin Sanchez, gerente do programa DARPA em um comunicado à imprensa.

“A sensação do toque de uma mão mecânica diretamente no cérebro, nos mostra o potencial da bio-tecnologia para restaurar esse sentido natural.”

(Justin Sanchez)

 

A prótese, desenvolvido pelo Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins. Neste experimento, os pesquisadores usaram fios para conectar a prótese com os chips colocados no córtex motor do paciente, responsável pelo movimento, e no córtex sensorial, onde o cérebro compila informação sensorial.

A mão protética contém sensores de toque que podem detectar pequenas mudanças na pressão, convertendo em sinais elétricos transmitidos para os sensores no cérebro do paciente.

Neste novo experimento, Com o cérebro e o braço conectados, os pesquisadores vendaram os olhos do paciente. Logo em seguida, tocaram suavemente cada um dos dedos da prótese. Ele sentiu quando a mão foi tocada, e melhor, soube qual foi o dedo, com quase 100 por cento de precisão, relatando que sentiu como se sua própria mão estivesse sendo tocada.

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O futuro

Por ora, a DARPA mantém em sigilo os detalhes desse trabalho, e por esse motivo, ainda está pendente de revisão pela comunidade científica e pela revista que o publicou.

Embora muito promissor, o trabalho é caro. Além disso, a cirurgia invasiva e implantes cerebrais com fios não são uma solução ideal. E também, a percepção sensorial ao toque ainda é rudimentar.

No entanto, esse experimento já é um avanço. Ele estabelece a base para que outras sensações, como a temperatura, por exemplo, possam ser adicionadas no futuro. Outra coisa é que algoritmos e eletrodos mais sensíveis poderão possibilitar um controle motor mais refinado. E avanços na interface cérebro-máquina irão permitir implantes menos invasivos.

Porém, é um passo de cada vez. E conseguir um sentido tátil já irá melhorar muito a vida das pessoas que utilizam próteses.

 

Fonte: DARPA

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Redação O Futuro das Coisas
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