Um novo sistema que consegue “ouvir” as palavras ditas em sua cabeça


26 abr 2018

Imagine um sistema que permitisse que você se comunicasse de forma silenciosa e privada com um computador ou com a internet, simplesmente pensando – sem nenhum movimento facial.

Esse sistema acaba de ser inventado por pesquisadores do MIT.

O sistema AlterEgo é um headset capaz de identificar e traduzir a subvocalização, palavras verbalizadas internamente, utilizando eletrodos ao redor da mandíbula e do queixo. Seria a mesma coisa que ouvir e falar palavras “em sua cabeça” em linguagem natural.

Com o auxílio da inteligência artificial, os pesquisadores do MIT conseguiriam identificar padrões nas ondas cerebrais e nas expressões faciais das pessoas. Os sinais são alimentados a uma rede neural que é treinada para identificar as palavras subvocalizadas desses sinais. Os fones de ouvido, de condução óssea, também transmitem vibrações através dos ossos da face até a orelha interna para transmitir informações para a pessoa – de forma particular e sem interromper uma conversa que por caso ela possa estar tendo. O dispositivo se conecta a qualquer dispositivo de computação via Bluetooth.

Uma conversa bidirecional, silenciosa e discreta com as máquinas

“A ideia era ter uma plataforma de computação que conecta o humano e a máquina e parece uma extensão de nossa própria cognição”, explica Arnav Kapur, pós-graduando do MIT e principal autor do estudo, apresentado em março na 23ª IUI ’18 – Conferência Internacional sobre Interfaces Inteligentes de Usuários.

Em fase de testes, alguns participantes usaram o sistema para relatar, de forma silenciosa, os movimentos dos adversários em um jogo de xadrez e, também de forma silenciosa receber recomendações de movimentos de um programa computacional que joga xadrez. Em outro experimento, os participantes conseguiram responder, de forma indetectável, ​​problemas computacionais complexos, como a raiz quadrada de números elevados. O dispositivo obteve 92% de precisão ao traduzir pensamentos. “Acho que vamos conseguir uma conversa completa algum dia”, disse Kapur que acredita que essa taxa vai melhorar.

“Basicamente, não podemos viver sem nossos celulares, nossos dispositivos digitais”, diz Pattie Maes, professora de artes e ciências e orientadora de tese de Kapur. “Mas, se eu quiser pesquisar algo que seja relevante para uma conversa que estou tendo, preciso encontrar meu celular, digitar a senha, abrir um aplicativo e digitar alguma palavra-chave de pesquisa, e a coisa toda exige que eu mude completamente a atenção do meu ambiente e das pessoas com quem estou.”

O MIT ainda não divulgou quando o AlterEgo será comercializado pois está coletando dados para aprimorar o reconhecimento e adicionar mais palavras a serem interpretadas.

É possível imaginar que futuramente o tamanho do dispositivo diminua e ele se aloque ao rosto de uma maneira mais sutil. Os pesquisadores também sugerem que com a Internet das Coisas (IoT) será possível controlar eletrodomésticos e dispositivos (ligar / desligar a luz, controlar a TV etc). O sistema também será útil para ambientes com alto ruído, como a cabine de comando de um porta-aviões, ou locais com muitas máquinas.

Crédito da imagem da capa: Lorrie Lejeune/MIT

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Redação O Futuro das Coisas
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