Poeira cósmica pode transportar a vida entre os planetas


27 nov 2017

Como surgiu a vida na Terra?

Um novo estudo, publicado no journal Astrobiology no dia 17 de novembro de 2017, conclui que a vida em nosso planeta pode ter se originado de partículas biológicas trazidas para a Terra através de fluxos de poeira interestelar.

Esse estudo sugere que o impacto de asteroides pode não ser o único mecanismo para que a vida possa migrar para outros planetas, como se pensava anteriormente.

Todos os dias, uma quantidade imensa de poeira cósmica (~ 10 000 quilos – mais ou menos o peso de dois elefantes) entra na nossa atmosfera – trazendo organismos de planetas distantes. Esta poeira pode atingir velocidades de 10 a 70 km/s.

Esses fluxos de poeira podem colidir com bactérias e outras partículas biológicas a 150 km ou mais acima da superfície da Terra, com energia suficiente para transportar organismos terrestres para outros planetas ou para o espaço. Então, estas moléculas próximas da Terra, poderiam ser apanhadas ao passar cometas, asteróides ou outros Objetos Próximo da Terra (NEO) e serem carregadas para outros planetas.

Algumas bactérias, plantas e até mesmo os tardígrados* que são animais microscópicos que podem sobreviver no espaço – se estiverem na atmosfera superior da Terra – poderiam colidir com a poeira cósmica em rápido movimento e sobreviver tempo suficiente para fazer um passeio para outro planeta.

Os tardígrados, também conhecidos como urso da água, podem sobreviver a temperaturas extremamente baixas (-272 °C) ou suportar temperaturas muito elevadas (até 150 °C). Testes de laboratório revelam que eles podem viver no vácuo e que são totalmente resistentes à radiação. Eles podem ficar sem alimentos ou água por mais de 30 anos, dessecando ao ponto de ficar com apenas 3% de água.

 

“O fluxo de poeira cósmica é encontrado em todos os sistemas planetários e pode ser um fator comum para a proliferação da vida”, segundo o professor Arjun Berera, da Faculdade de Física e Astronomia da Universidade de Edimburgo, que conduziu o estudo.

O estudo de Berera é significativo porque trata de como a vida evoluiu na Terra. Se moléculas biológicas e bactérias escaparam continuamente da atmosfera da Terra ao longo de sua existência, isso sugeriria que ainda poderiam estar flutuando no Sistema Solar, possivelmente em cometas e asteroides.

Essas amostras biológicas se pudessem ser acessadas e estudadas, serviriam como uma linha do tempo para a evolução da vida microbiana na Terra.

Também é possível que as bactérias enviadas da Terra sobrevivam hoje em outros planetas. Essas colônias de bactérias seriam basicamente cápsulas do tempo, contendo vida preservada há bilhões de anos.

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Redação O Futuro das Coisas
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