Não há limites para a longevidade humana, sugere estudo


02 jul 2018

A francesa Jeanne Calment entrou para a história como a pessoa que mais tempo viveu. Ela morreu aos 122 anos, tendo sua vida foi amplamente documentada por estudos científicos.

Quais fatores contribuem para alguém ter uma vida tão longeva?

Isso vai desde o estilo de vida até a genética. Mas, um estudo controverso realizado por uma equipe de cientistas e publicado na última quinta-feira, 28 de junho, na revista Science, chegou à seguinte conclusão:

O risco de uma pessoa morrer aumenta exponencialmente dos 65 anos até os 80 anos. Mas, aos 105 anos, a gama de riscos se estabiliza – o que sugere que a partir desse ponto não há limite para a expectativa de vida humana.

“A quantidade crescente de pessoas excepcionalmente longevas e o fato de que a mortalidade após os 105 anos parece diminuir nesses grupos, sugere fortemente que a longevidade continua aumentando com o passar dos anos e que, se houver um limite, este ainda não foi estabelecido”, escreveram os pesquisadores.

“Pessoas que tiveram a sorte de passar pelos perigosos 70, 80 e 90 anos poderiam viver bem em seus 110 anos, se a sorte continuar do seu lado”, disse Kenneth Wachter, autor sênior do estudo e professor de demografia e estatística da Universidade da Califórnia, em Berkeley.

A japonesa Chiyo Miyako é a pessoa viva mais velha do mundo aos 117 anos, de acordo com o Gerontology Research Group. Ela credita sua longevidade à gostar de comer enguia, beber vinho tinto e nunca fumar. (Crédito: Copyright © 2018, Hoy Los Angeles)

 

O novo estudo baseou-se em dados de italianos com 105 anos ou mais, coletados pelo Instituto Nacional de Estatística da Itália (ISTAT), entre 1º de janeiro de 2009 a 31 de dezembro de 2015. O ISTAT validou a trajetória individual de sobrevivência de cada pessoa que tivesse 105 anos ou mais, incluindo suas certidões de nascimento. Segundo os pesquisadores, esses dados são de alta qualidade garantindo “precisão e exatidão que antes não era possível.”

Dados utilizados anteriormente de supercentenários (com 110 anos ou mais) do Instituto Max Planck para Pesquisa Demográfica sobre Longevidade (IDL) eram “problemáticos em termos de registros de idade “, segundo os autores do estudo.

Não há limites

“Nossos dados nos dizem que não há um limite fixo para a vida humana à vista”, disse Wachter. “Pouquíssimos de nós alcançarão essa idade, mas o fato de que as taxas de mortalidade não estão piorando nos diz que há um avanço a ser conquistado para aumentar a longevidade após os 80 a 90 anos, uma descoberta que é valiosa e encorajadora “.

Perigos anuais em escala logarítmica para o grupo (coorte) de mulheres italianas nascidas em 1904. Os intervalos de confiança foram obtidos de dados do Human Mortality Database (HMD) para idades até 105 anos e do ISTAT para idades acima disso. (A) Closeup com intervalos de confiança de 95% baseados apenas em dados de uma única coorte. (B) Visão ampla com platô estimado acima dos 105 anos (linha tracejada preta) e faixas de confiança de 95% (laranja) preditas a partir dos parâmetros do modelo da base de dados da ISTAT, juntamente com uma predição em linha reta (preto) da adaptação de um modelo de Gompertz para idades de 65 a 80 anos. Note que a partir dos 80 anos, a gama de riscos de morte (barras azuis) começa a aumentar. No entanto, aos 105 anos, com base nos dados da ISTAT, o risco de morte atinge um platô (pára de aumentar, como mostrado na linha preta tracejada com fundo laranja) e as chances de alguém morrer entre um aniversário e outro são aproximadamente 50:50. (crédito: E. Barbi et al., Science)

 

Especificamente, o estudo mostrou que pessoas com 110 anos de idade tinham as mesmas chances de continuar vivendo em comparação com aquelas entre 105 e 109 anos – uma chance meio a meio (50/50) de morrer dentro de um ano e uma expectativa adicional de 1,5 anos.

Este patamar contraria a forma como o risco de morte aumenta incessantemente à medida que envelhecemos, a partir dos 40 anos, compara Wachter.

“Se as taxas de mortalidade continuassem subindo na mesma proporção que elas sobem dos 40 para 90 anos, então haveria uma forte barreira para o progresso em idades extremas – retornos decrescentes para mudanças de comportamento ou para novos avanços médicos”, acredita Wachter. “O fato dessas taxas se nivelarem dá esperança de que há espaço para esses avanços”.

Dado que a nossa expectativa de vida continua aumentando, talvez a estabilização [105 anos] comece cada vez mais cedo” – Siegfried Hekimi, chairman da McGill.

Fontes: Science e MedicalXPress

Crédito da imagem da capa: © Alex_Po / Fotolia

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Redação O Futuro das Coisas
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