HBR: Porque os Inovadores Deveriam Estudar Sobre a Ascensão e a Queda do Império Veneziano


17 jan 2017

Situada no nordeste da Itália, e banhada pelo mar Adriático, Veneza se tornou uma das maiores potências marítimas da Idade Média, além de um importante centro de intercâmbio comercial e cultural com o Oriente.

De 697 a 1797 DC, a sua perspicácia tecnológica e sua localização central nas principais rotas comerciais foram cruciais para que a Serenìsima Repùblica Vèneta florescesse.

No entanto, de repente, aconteceram algumas mudanças…

Os pontos fortes se transformaram em fraquezas e ruíram essa história de sucesso que já durava mil anos.

Qual empresa não gostaria de durar séculos, como a República de Veneza? O que fazer para não cometer os mesmos erros?

Piero Formica, fundador da Academia Internacional de Empreendedorismo e Senior Research Fellow no Innovation Value Institute, escreveu um texto hoje na Harvard Business Review (HBR) sobre isso.

Ele lembra que o Arsenal de Veneza, foi um estaleiro que teve papel importantíssimo na construção do seu poderio naval. Essa avançada fábrica de munições empregava cerca de 16 000 pessoas que aparentemente conseguiam fabricar um navio por dia e podiam ter pronta, armada e aprovisionada uma nova galera com técnicas de produção em massa baseadas numa produção em série que não se voltaria a ver senão na Revolução Industrial.

A partir do século XIII, o Arsenal estimulou a criatividade, a inovação e o empreendedorismo na construção de suas galeras.

A localização geográfica ajudou a cidade a se defender de invasores marítimos e terrestres. A cidade, construída sobre uma série de ilhas em uma lagoa pantanosa, tinha um comércio bem desenvolvido. A sua posição no topo do mar Adriático permitiu que se transformasse num hub vital, conectando o leste e o oeste através do Mediterrâneo.

Mas, como acontece com muitas empresas de sucesso, Veneza chegou a um determinado ponto em que queria tirar mais proveito daquilo que já existia do que explorar novos horizontes…

Os comerciantes venezianos apenas seguiam os caminhos tradicionais que levavam ao sucesso.

Estes comerciantes focaram na inovação incremental, concentrando-se na eficiência e na otimização. Determinados em crescer rapidamente suas próprias fortunas, eles pisaram fundo no acelerador em vez de traçar novos cursos.

Mas, algo aconteceu…

No final do século XVI, o mundo estava mudando, e Veneza tornou-se menos relevante. O foco do Arsenal em navios de galera fazia sentido apenas quando o Mediterrâneo era o canal comercial mais importante.

Piero cita Alessandro Barbero, professor de história medieval na Universidade Piemonte Oriental, na Itália, o qual observa que a galera permaneceu durante muito tempo o navio favorito dos navegadores venezianos. Porém, a invenção de galeões marítimos fez com que países que faziam fronteira com o Atlântico estabelecessem novas rotas comerciais que não fluiriam pelo Adriático.

Esta nova era de explorações desencadeou o início do declínio de Veneza. Um enorme avanço tecnológico – navios que poderiam “encarar” o mar durante meses e até mesmo anos – acabou com a sua vantagem competitiva e com o fit estratégico de suas competências anteriormente consideradas únicas.

A ascensão do galeão marítimo deixou Veneza subitamente em desvantagem por sua localização na extremidade norte do mar Adriático. Além disso, o Arsenal já não estava na vanguarda da tecnologia naval. A importância econômica de Veneza havia se contraído enormemente quando Napoleão a invadiu, levando o Império Veneziano a um derradeiro fim.

Qual é a lição para empreendedores e inovadores hoje?

Para Piero é a seguinte: quanto mais forte for a suposição de que o futuro funcionará semelhante à hoje, maior será a força gravitacional do status quo. Empresas que seguem rotas estabelecidas, nunca se esforçam por novos horizontes. Elas estão condenadas a morrer.

Portanto, Piero alerta: “Se você não quiser ser pego de surpresa, é preciso entender que o futuro é insondável, ambíguo e aberto a todo tipo de alternativas. Pode ser um movimento importante de um concorrente, ou uma nova tecnologia…às vezes isso é tudo para acabar com um império.”

Ou seja, se o seu negócio for como um jardim muito bem cuidado, isso não será suficiente. A próxima oportunidade (ou ameaça) pode estar na intersecção confusa de setores e mercados.

Segundo Piero, os empresários inovadores não se deixam levar pela síndrome do “sucesso como de costume”. Preferem explorar tecnologias emergentes e novos modelos de negócios.

Essa perspectiva os ajuda a promover formas não convencionais de pensar, resolver problemas e desafiar o status quo. Eles sabem que o objetivo não é seguir um horizonte fixo, mas entender quando e como esse horizonte se move conforme se aproximam dele.

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Redação O Futuro das Coisas
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