Descoberta da conexão mente-corpo revoluciona o combate às doenças psicossomáticas


23 ago 2016

Neurocientistas da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, anunciaram ter descoberto a base neural que assegura a conexão mente-corpo e que permite explicar como estados mentais influenciam o estado fisiológico do organismo.

A descoberta relatada na revista  Proceedings of the National Academy of Sciences, ajuda a compreender como o estresse, a depressão e outros estados mentais e emocionais podem alterar as funções dos órgãos, e mostra que existe uma base anatômica real para as doenças psicossomáticas.

Durante o estudo com macacos, os cientistas mapearam um circuito neural que liga as áreas do córtex cerebral à medula adrenal, à parte interna da glândula suprarrenal, que está localizada acima de cada rim.

Esse método exclusivo de rastreio envolve o vírus da raiva e a abordagem consegue revelar longas cadeias de neurônios interligados.

Um resultado surpreendente da pesquisa foi identificar que as áreas motoras do córtex cerebral, envolvidas no planejamento e na execução dos movimentos, fornecem informações fundamentais para a medula adrenal. Uma dessas áreas é uma parte do córtex motor primário relacionado com o controle do movimento axial do corpo e da postura.

Esta entrada para a medula adrenal pode explicar porque a meditação e certos exercícios podem ser tão úteis na modulação das respostas do organismo ao estresse físico, mental e emocional. O Pilates, a Yoga, o Tai Chi e até mesmo a dança, todos exigem o alinhamento adequado, coordenação e flexibilidade.

Pilates

Os dados apurados mostraram, desta forma, que existem circuitos neurais que conectam o movimento e a cognição e afetam a função da medula suprarrenal e o controle do stress e de outros estados emocionais, destaca o cientista e coordenador do estudo, Dr. Peter Strick, também diretor científico do Instituto do Cérebro da Universidade de Pittsburgh.

Estes circuitos podem mediar os efeitos dos estados internos mentais e emocionais, como o estresse crônico e a depressão, sobre o funcionamento dos órgãos, e são, desta forma, uma base neural concreta que ajuda a explicar o aparecimento de doenças psicossomáticas.

O estudo também revelou que as áreas do córtex que ficam ativas quando estamos em situações de conflito, ou quando estamos cientes de que cometemos um erro, representam uma fonte de influência sobre a medula adrenal.

Esta observação [parágrafo acima] levanta a possibilidade de que a atividade nessas áreas corticais quando você fica repensando o erro e martirizando-se, ou fica pensando num evento traumático, isso resulta em sinais que influenciam diretamente a medula adrenal da mesma forma como que vivenciar de forma real aquele evento”. Dr. Peter Strick

Estes achados têm relevância para as terapias que lidam com o estresse pós-traumático.

Outras conexões com a medula adrenal foram descobertas em áreas corticais que ficam ativas durante a meditação e áreas que mostram alterações na depressão e bipolaridade.

No geral, estes resultados indicam que existem circuitos neurais que conectam o movimento, a cognição e afetam a função da medula adrenal e o controle do estresse.

Estes circuitos podem mediar os efeitos dos estados internos, como o estresse crônico e a depressão sobre o funcionamento dos órgãos e, assim, proporcionar um substrato neural concreto para algumas doenças psicossomáticas.

A humanidade pode estar bem próxima de realizar o potencial dessa conexão mente-corpo para uma vida mais saudável e harmônica.

A pesquisa foi financiada pelo Instituto Nacional de Saúde e pelo Departamento de Saúde da Pensilvânia.

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Redação O Futuro das Coisas
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